Que se volte a luz!

Desatinos, Descompassos e Devaneios

4 de março de 2008

Medo


A noite quente cai; tão quente que deixa a cama molhada com o meu suor, sem sono, a noite parece não ter fim, pensamentos voam a velocidade da luz para lugar nenhum, a busca de novas soluções e resultados para problemas ainda incompletos que não me deixam fechar os olhos. Resolvo deitar no meio da cama, do lado direito assola as dúvidas, ao lado esquerdo a solidão de não ter alguém com quem conversar ou apenas sentir a presença. Mais um copo d’água e rezo, pensamentos positivos são o que ainda me movem pela noite, mas o medo parece estar ganhando esta batalha. Ouço músicas, na verdade uma mesma música por várias vezes, a melodia entranha em meu cérebro que não consigo tirá-la depois, passo a ouvir outras, a mesma música ainda martela e eu não consigo mais esquecê-la, de prazerosa, passa a ser dor. Seja mal-vinda dor de cabeça, já sabia que chegarias. Tomo mais um copo d’água e corro a caixa de remédios, não há mais nenhum dentro da caixa, os 20 fora tomados em tempo recorde. E agora? O que fazer? Manhã chega, peço a Deus uma luz, tenho um dia todo pela frente e não posso esmaecer, eles precisam de mim, manda-me logo esta luz, estou a aguardar por ela... Ah! Manda sorte também, estou precisando mais do que nunca!

Carpe diem!

3 de março de 2008

Saudades II


Pimentas - Saudade

Quando bate a saudade
Eu pego as cartas eu leio,eu releio
Aspiro bem fundo o perfume,o seu cheiro
Na fotografia que você me deu
E eu...

Quando bate a vontade
Eu fecho os meus olhos, me vem o teu rosto
Teu sorriso meigo, a tua voz, o teu gosto
Ah como eu queria poder te abraçar
Te tocar...

Você inspira poesia
Na hora do almoço, de noite ou de dia
Na fila do banco, no banco da praça
Esqueço do tempo nem noto quem passa
E o tempo não passa
Olhando pra lua na beira do lago
Não vejo a hora de estar do teu lado
Deitar no teu colo, poder te acariciar
E o tempo não...
passa...

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Sem inspiração para escrever
Sem sono...
Sem você...
Sem nada...

Carpe diem

Márcio Dadox

1 de março de 2008

Sentimento: Saudade

(Miguel Falabela e adaptado por Márcio Dadox)

Devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo na porta do carro dói. Cortar o dedo na lâmina ao fazer uma salada dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapão no pescoço, um empurrão, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa e às vezes até com vontade para mudar a dor de lugar, dói morder a língua, os lábios, dói cólica, dentes molares nascerem e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe, saudade de uma cachoeira da infância, saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais, saudade da avó que foi embora, do amigo imaginário (...) saudade de uma cidade, saudade de uma música marcante, saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem estas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos, do riso, do jeito de falar seu nome prolongando a última letra, dos vícios como "na verdade", de gaguejar ao ficar nervoso, do toque diferenciado no celular, do apelido carinhoso... Saudade da presença, e até da ausência consentida, muitas vezes sem querer consentir, mas saber que é necessária.


Ele podia ficar no quarto e você na sala de jantar, conversando com a sua vó, ou brincando com os cachorros, sem se verem, mas sabiam-se lá. Ele podia ir para o trabalho e você pra faculdade, mas sabiam-se onde.
Vocês podiam ficar o dia sem se verem, mas sabiam-se amanhã ou mais tarde iriam se falar ao telefone e ficaria tudo bem. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ou ainda quando o encanto acaba... Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ele continua roncando à noite e tendo pequenos sustos ao cochilar e até mesmo quando consegue dormir, se ainda come sucrilhos, geléias, fandangos de milho, entre tantas coisas antes de dormir. Não saber se ele continua a fazer a barba com uma lâmina cega, por esquecer de comprá-la. Não saber se ele ainda usa aquela camisa apertada, ou se vai usar aquela camisa que comprou e nunca usou ou se você ainda prefere a calça cheia de bolsos e até um tênis que desejou comprar, mas pela opinião dela não comprou. Não saber se você foi à consulta com o otorrino por ter entrado em crise, ou se pegou pontos na perna ao cair, apesar de querer que ele saiba primeiro que todo mundo. Não saber se ele tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupado e vivendo de shakes mirabolantes, se você tem assistido às aulas de inglês, se tem ido à academia... se aprendeu a usar o emule..., se ele aprendeu a tirar o pé de embreagem.
Se ele continua preferindo bacardi lemon, se você continua detestando Mcdonalds, se continua amando, se você continua a chorar até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se está mais forte. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, não querer olhar o orkut, e ainda assim doer.
Saudade é isso que eu estive sentido enquanto escrevia e o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler.
Carpe diem
Dadox